13 de fevereiro de 2009

Mario Benedetti

As estações

Estão em mim as estações
como se fossem uma só
as quatro sempre estão em mim
são quatro faixas de um abismo
da aurora até o ocaso
a chuva o verde o sol o vento
sem me desvelar estão em mim
são a missão recém-nascida
e são os mortos do meu mundo
minhas ocultas estações
me fazem feliz / sofrem em mim
cada uma delas tem um céu
e cada céu é um espelho
que fala de todos e de mim
as estações se congregam
se reconhecem e se abraçam
as quatro sempre estão em mim
sou seu fervor suas folhas mortas
seu granizo suas colheitas
sua porta aberta seus cadeados
sua insolação seus aguaceiros
como um destino estão em mim
as estações se embaralham
para se mesclar com minha vida
para se juntar com minha morte
e então fugir de mim


11 de dezembro de 2008

Manuel Bandeira

ANDORINHA

Andorinha lá fora está dizendo:
- "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...

10 de dezembro de 2008

Caetano Veloso

...
Parafins gatins alphaluz sexonhei la guerrapaz
Ouraxé palávora driz oké cris expacial
Projeitinho imanso ciumortevida vidavid
Lambetelho frúturo orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras.

5 de dezembro de 2008

Gabinete - Lucia Koch


Revista  Luz & Cena

Galeria

por: Carmem Salazar

24/2/2007

Foto: Lucia Koch

A artista plástica gaúcha Lúcia Koch, que hoje vive e trabalha em São Paulo, tem no cerne de sua pesquisa, a investigação sobre a luz. Lúcia nos instiga a ver além dos pontos de vista convencionais e "arquiteta" a luz nos ambientes afirmando que "a luz e o ar são os elementos que ativam um espaço e fazem surgir ali, um lugar" (2007, LK).A instalação Gabinete foi mostrada, em Porto Alegre, na II Bienal do Mercosul / 1999, dentro do segmento Arte e Espaço Urbano. Este segmento tinha como intenção a requalificação de antigos espaços na cidade, ocupando dos armazéns do Cais do Porto, à margem do rio Guaíba. Lúcia utilizou filtros coloridos transparentes nos vidros das janelas do recinto ocupado por ela, resultando em projeções coloridas da luz solar que, ao "atravessarem" a geometria daquelas aberturas, "pintavam" no espaço desenhos que se transformavam no decorrer do dia e de acordo com a posição da luz natural que ingressava naquele ambiente. Nos remetia, formalmente e em sua dimensão humana, às composições abstratas de Mondrian (pintor holandês, 1872-1944), convidando nosso olhar a descobrir diferentes e surpreendentes perspectivas da paisagem como, por exemplo, ver o rio de várias cores ao mesmo tempo ou, quem sabe, concentrar-se em uma delas. É, também, um convite a nosso próprio corpo a um "mergulho" em seu Gabinete de cor/luz.Não é à toa que Lúcia é um nome de origem latina, cujo significado é luz.


Carmem Salazar é iluminadora e cursa Artes Visuais na Feevale - RS


Ed Rusha